História

Delfim Moreira: Seu Tempo, Sua História

Descoberto de Itajubá. Soledade de Itajubá. Itajubá Velho, Delfim Moreira. Cidade de muitos nomes e muita história. Criada no ciclo do ouro mineral e desenvolvida no plantio do ouro vegetal. A força de uma gente decidida a fincar raízes na montanha. São mais de 300 anos de história e 75 anos de emancipação Política do Município.

A chegada dos Bandeirantes

Quando os aventureiros paulistas desbravavam as Minas Gerais em sua ânsia pelo ouro, descobriram as Minas de Nossa Senhora da Soledade do Itagybá, no local onde hoje se construiu a cidade de Delfim Moreira.  A ambição transformou aventureiros em épicos desbravadores, que nos deixaram inúmeros povoados. Entre esses bravos e arrojados povoadores, estava o bandeirante descobridor das Minas do Itagybá, o Sargento-mor Miguel Garcia Velho, que partindo de Taubaté e transpondo a Mantiqueira, seguiu pelos vales da Bocaina, transpôs a Serra dos Marins e o planalto do Capivari. Na companhia de alguns índios, achou no Córrego Alegre, nas águas do rio Tabuão, indícios do cobiçado metal. Caminhando em direção ao norte, chegou a uma ravina, onde se deparou com uma cachoeira que os índios batizaram de Ita-y-abae, que na língua Tupi significa “lugar de onde o rio das pedras cai de cima”, em outros termos, cachoeira do rio das pedras.  Neste local, Miguel Garcia Velho minerou por algum tempo, dando início ao povoado do primitivo Delfim Moreira. O garimpo nas minas de Soledade de Itagybá foi efêmero. As catas e grupiaras eram faisqueiras pobres que logo se esgotaram. Os bandeirantes se retiraram, e aqueles que ficaram no povoado trataram de se arranjar com a agricultura e a pecuária.

Primeira Missa

Os povoados mineiros foram se constituindo rapidamente. Começavam por um rancho de tropas, onde os mineradores iam fazer suas compras em mãos dos comboieiros que levavam da Bahia, do Rio de Janeiro ou de São Paulo, as mercadorias para consumo. Em redor desses ranchos, fixavam-se casas de venda, e como era certa a afluência de gente, sobretudo aos domingos, os religiosos iam ali ter, celebrando missas, fazendo batizados e casamentos, iniciando-se assim as capelas. No princípio, um cruzeiro em cujo pé, tosca coberta de palha, abrigava o rústico altar; logo depois a capelinha de taipa que prontamente se transformava em templo definitivo. Assim se formou o arraial de Nossa Senhora da Soledade de Itagybá, que em seu início pertencia à comarca Eclesiástica de Guaratinguetá do bispado de São Paulo. Então, no dia 23 de abril de 1752, dia em que a Igreja celebra a fuga de Nossa Senhora para o Egito, atendendo a provisão concedida pelo Bispo de São Paulo Frei Antônio da Madre de Deus Galvão ao Capitão Manoel Correa da Fonseca, morador do arraial da Soledade do Itagybá. Foi celebrada a primeira missa no dito arraial pelo reverendo Antônio da Silveira Cardoso. Em 08 de setembro de 1753, o arraial do Descoberto do Itagybá é elevado à condição de Curato. A 08 de setembro de 1762, o Curato do Descoberto do Itagybá é elevado à condição de Freguesia, passando a se chamar Freguesia de Nossa Senhora da Soledade do Itagybá.

A visita da Princesa Isabel no sul de Minas

A Princesa Isabel visitou o Sul de Minas, acompanhada do Príncipe Luis Fílipe, conhecido como Conde d’Eu. Seu destino era Caxambu, pois ficara sabendo que as águas daquela cidade curavam vários males, inclusive o de não ter filhos, caso da Princesa. Na sua viagem pelo Sul de Minas passou por várias vilas e povoados. Em 04 de Dezembro de 1868, na parte da tarde, o casal real chegou à Soledade de Itajubá, acompanhado de sua comitiva, que se compunha de seu Conselheiro Dr. Feijó, de seu Secretário, o Visconde de Lajes, suas esposas e mais algumas damas de Honra, e os criados.  A principal rua do povoado estava enfeitada com arco de bambu, e as fachadas das residências com ricas toalhas nas janelas. A corporação musical do vilarejo recebeu os reais visitantes entoando a marcha imperial. Rojões e foguetes de lágrimas também festejaram a chegada dos augustos visitantes. O casal real foi recebido no adro da Igreja Matriz pelo padre Pedro José da Veiga, que fez a exposição do Santíssimo Sacramento e oficializou o Te-Deum.

O Episódio do Encontro

Por decreto de 14 de julho de 1832, expedido pelo governo da Regência, a sede da freguesia de Soledade de Itajubá foi transferida para o florescente Arraial da Boa Vista elevando-a sob a denominação de Freguesia Nova de Itajubá (atual cidade de Itajubá). Os moradores entenderam que, transferida a sede da freguesia para esse lugar, a imagem de Nossa Senhora da Soledade devia necessariamente ser removida para a nova Igreja Matriz, e com Ela os adornos necessários à Santa Missa e outras celebrações da liturgia católica.

Os habitantes da antiga freguesia opuseram-se a esta pretensão e resolutos, e se prepararam para a resistência a mão armada. No começo de agosto de 1832, o Padre Lourenço da Costa Moreira resolveu ir buscar a imagem de Nossa Senhora da Soledade na antiga freguesia. Para tanto, o Padre Lourenço lançou um convite para que os moradores da freguesia Nova de Itajubá fossem em romaria à antiga Capela, para buscar a imagem de Nossa Senhora. Na madrugada de um domingo de agosto de 1832, depois da missa, a romaria do Padre Lourenço pôs-se a caminho da velha Matriz. Depois de uma longa marcha, os fiéis do Padre Lourenço, nas proximidades da velha matriz, organizaram- se em procissão, liderados pelo intolerante Padre. Quando alcançaram o pontilhão de madeira, que dava acesso ao arraial, viram sair de todos os lados os devotos moradores do velho arraial, dispostos a defender com suas vidas a permanência da imagem de sua Padroeira na velha Matriz. Dá-se a luta, os moradores da antiga capela saem vitoriosos, obrigando os fiéis do Padre Lourenço a retirarem-se sem alcançar sucesso em seu objetivo. Até hoje, a Imagem de Nossa Senhora da Soledade trazida pelos bandeirantes encontra-se na Matriz de Delfim Moreira.

O marmelo, as fábricas de Doce e o ramal Ferroviário

Após o efêmero ciclo do Ouro, a economia de Delfim Moreira passou a ser basicamente de subsistência. Plantavam-se o fumo e o milho, juntamente com a criação de suínos e de gado. No início do século XIX, o Senhor Barão da Bocaina introduz em suas propriedades do Córrego Alegre e São Francisco dos Campos uma plantação de marmelo com finalidades comerciais.

O marmelo já era há muito tempo utilizado  como planta de jardim e como cercas divisórias. Com o aumento da produção, os proprietários de marmeleiros viram-se obrigados a procurar um mercado que consumisse a produção. Em 1916, os Senhores Paulino Gonçalves de Faria e Francisco José Alves viajaram para o Rio de Janeiro, onde travaram negociações com a fábrica Colombo, e assim teve início a exportação de frutas para a capital da República, na época, a cidade do Rio de Janeiro. Entre 1916 e 1919, foi instalada a primeira fábrica de doces, pelo senhor Antonio Ferraz, proprietário na época da Fazenda Alegria. Em 1918, o senhor Eleardo Braga Mostero (cidadão do Rio de Janeiro), juntamente com os senhores Paulino Gonçalves de Faria, Francisco José Alves, Evaristo Coura, Joaquim da Silva, Clementino Batista da Cunha e muitos outros, iniciaram a construção da Cia de Melhoramentos de Soledade de Itajubá, que foi vendida mais tarde para o senhor Manoel José Lebrão, da fábrica Colombo do Rio de Janeiro.

Foram instaladas: em 1924, a Doces Mantiqueira Ltda; em 1930, a Fábrica Vitória; em 1933, a Fábrica de Doces Estrela do Sul; em 1933, a Fábrica Peixe; em 1945, a Fábrica Paulino Faria; em 1947, a CICA; em 1948, a Matarazzo; em 1952, a fábrica Sertaneja; em 1953 a Bonetti e Abdias Ltda, a Fábrica Maravilha e a Delmor Ltda; e em 1956, a Fábrica Independência Ltda.

Difícil e penoso era fazer as mercadorias chegarem nos centros consumidores aqui produzidos. No final do século XIX, fizeram os primeiros projetos para a construção de uma via férrea que ligaria Soledade de Itajubá a Itajubá. Finalmente em 1919, deu-se início à construção do ramal que ligaria o Itajubá Velho ao Itajubá Novo. Em 1926, foi inaugurada a estação deste ramal, que recebeu o nome de Delfim Moreira. Em 28 de março de 1957, realizou-se a última viagem do trem que ligava Itajubá a Delfim Moreira. Em maio de 1959, principiou-se a retirada dos trilhos desse ramal.

Emancipação Política

A cidade que hoje é Delfim Moreira, em seu passado já tivera outros nomes como: Descoberto de Itajubá e Soledade de Itajubá, vulgarmente conhecido como Itajubá Velho. A origem do município de Delfim Moreira está ligada à procura e mineração do ouro. Em 1848, pela Lei Provincial nº 355 de 28 de setembro, a nova Freguesia de São José da Boa Vista de Itajubá foi elevada à condição de Vila, sendo a ela anexada como um de seus distritos o arraial de Nossa Senhora da Soledade de Itajubá. Em 1934, alguns ilustres moradores  do Distrito de Soledade de Itajubá, liderados pelos senhores Luis Francisco Ribeiro, Albino Alves, Paulino Gonçalves de Faria, Clementino Batista da Cunha e Euclides José Alves, dão início ao movimento de emancipação política do distrito. Em 17 de dezembro de 1938, o distrito de Soledade de Itajubá conquistou sua emancipação político-administrativa, passando a chamar-se oficialmente Delfim Moreira, em homenagem ao grande estadista e político mineiro, que já emprestara seu nome à antiga estação da estrada de ferro Rede Mineira de Viação, que servia a esta localidade. O primeiro administrador municipal foi o Sr. Joaquim Honório de Melo, que governou de 30 de janeiro de 1939 a 15 de setembro de 1945. Nosso município possui a sua bandeira e o seu brasão de armas. Neles estão expressas a história de nosso povo, suas conquistas e outros fatos cívicos que devem perpetuar nossas futuras gerações. A primeira Câmara de vereadores de Delfim Moreira foi eleita em 23/11/1947 e empossada em 29/12/1947. Seu primeiro prefeito eleito foi o Senhor Alcides Pinto Macahiba,  empossado em 01/01/1948. Além do senhor Alcides Pinto Macahiba, foram prefeitos de Delfim Moreira os senhores: Benedito Rodrigues Ferreira, Sebastião Rodrigues Ferreira, Cláudio Benedito de Freitas, Dalmo Wilson Ribeiro, Benedicto Geraldo Ferreira, Evaristo Gomes, José Benedito Coura, Expedito Correa Beraldo, Dr. Sebastião Alves de Faria, Pedro Paulo Alkmin de Oliveira, Carlos Antonio Ribeiro e José Fernando Coura.

A economia atual e as novas oportunidades

A economia atual de Delfim Moreira busca encontrar um caminho que a coloque numa posição confortável no Estado de Minas Gerais. Para tanto, são desenvolvidas ações que buscam manter o homem do campo no campo, já que a vocação tradicional do município é a agricultura e a pecuária leiteira.

Novos empreendimentos vêm sendo realizados com foco na agricultura familiar, na horticultura orgânica e na plantação de oliveiras com vistas à produção de azeite.

A produção leiteira é aproveitada por uma indústria de laticínios espalhada por bairros do município e de cidades vizinhas. O reflorestamento de eucaliptos é também uma importante atividade econômica do município. A indústria de automação Nery destaca o município no cenário nacional. Nosso patrimônio natural, cultural e nossa culinária são admirados por turistas que nos visitam e se regalam com a truta, com a cerveja e o azeite destas terras da Mantiqueira. Nossas pousadas e restaurantes recebem com conforto e carinho todos os que os buscam. As águas de nosso rio Santo Antonio geram energia para uma pequena central hidrelétrica que distribui a energia gerada para a Cemig.

O município vem investindo em educação, cultura, saúde e infraestrutura urbana, tudo no intuito de torná-lo mais acolhedor, humano, seguro e agradável a seus habitantes e aos que nos visitam.

O Artístico – Cultural de Delfim Moreira Ontem e Hoje

Ser mineiro é dádiva divina. Tantas coisas boas para se fazer, contar, ensinar aprender e viver. Mesmo que se distancie dessa atmosfera, por imposição dos desafios do destino, continua mineiro, continua delfinense. Guarda na memória lembranças que não se apagam. Nostalgia que só o filho desta terra sabe provar como ninguém, porque conhece palmo a palmo o seu torrão, onde o umbigo se encontra plantado para sempre. Nossa cultura tem origem em nossa vida ligada à lida, base da edificação de nossos costumes mais comuns, que se tornaram a marca do delfinense que preserva sua tradição com aroma da montanha. Nossa cultura é a cultura das “porteiras, dos queijos, dos moinhos d’água, da ordenha, da horta, do carro de boi, da capela, do marmelo, do forno a lenha, do canteiro de flores das crenças, Enfim, em nosso pedaço de chão é possível encontrar escritores, pintores, artesãos, artistas plástico, músicos, que em suas obras destacam a  maravilha de ser delfinense e mineiro. Exemplo dessa alma foi a escritora e pintora Vera Giffoni, que em suas obras, retratava o dia a dia do delfinense, a natureza, o passado de lembranças, o marmelo e suas histórias.

Nosso patrimônio cultural revela as nossas memórias, histórias de lutas e conquistas. Nossa culinária busca inspiração na sopa de marmelo, na horta, no queijo, no fogão a lenha, por isso seu sabor é sem igual. A Imagem de Nossa Senhora de Soledade não é apenas  uma peça de decoração. Ela revela nossa fé, é uma referência a nossa devoção.

A Estação Ferroviária e seus Pontilhões são os guardiões de sonhos passados que ficaram encantados pelo tempo.Todos são bens tombados pelo município porque guardam em si a memória de nosso povo.Hoje o Município conta com o Museu histórico e cultural que é o local de salvaguarda da Memória e de preservação do patrimônio  cultural de Delfim Moreira.

Nas lembranças que aparecem em nossas retinas, que ainda se confundem com o presente, vez ou outra, nos recordamos do “vai e vem”, da antiga praça onde as moças aos domingos colocavam os seus melhores vestidos e vinham para namorar e encontrar namorados. O cine Teatro Helena, que embalou sonhos com filmes que estavam em cartaz nos grandes cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro. Após os filmes, era comum um encontro nos bares da cidade, onde se tomava um chocolate quente antes de se recolher para casa.

A rádio da praça- do Mirim-, que em 1958 transmitiu os jogos da copa do mundo em cadeia com a rádio nacional do Rio de Janeiro. As pessoas  se reuniam na praça e juntas ouviam as transmissões e vibraram com as vitórias do Brasil, campeão pela primeira vez .

Nas tardes de domingo, o futebol era a diversão! As partidas memoráveis do Delfim Moreira Futebol Clube ainda estão na memória de quem jogou, torceu e vibrou com cada lance espetacular do nosso futebol. Os jogos de inverno marcaram um período de confraternização com as cidades vizinhas. Partidas de vôlei e futebol de salão deixavam a cidade movimentada e animada.

Em junho era aquela festança! Danças, músicas e quadrilhas marcadas pelo senhor João Bertolino, fogueiras iluminavam o céu de Delfim Moreira da década de 1960.

A religiosidade, grande marca deste povo, por muitos anos foi liderada pelo Padre Arlindo Giacomelli, que em suas peregrinações pelo município, espalhava a fé e a esperança de um povo que traz consigo a marca do ser cristão.

O carnaval também marcou a época, com blocos na rua,  especialmente com as marchinhas e os carnaval de salão  no clube.

Hoje em dia, Delfim Moreira resgata o carnaval de rua, preserva suas festividades nos bairros e mantém a tradição das Exposições Agropecuárias iniciadas na década de 70 e conta a manifestação religiosa e cultural da Folia de Reis Sagrado Coração de Jesus no Subdistrito da Barra e Barreira.

A Folia de Reis Sagrado Coração de Jesus foi inventariada em 2009 e há 20 anos vem sendo organizada pelo folião Pedro Roberto Ribeiro, que é pedreiro, pequeno produtor rural e que desde os 20 anos de idade acompanha o cortejo com sua sanfona de 120 baixos, sem nunca deixar sua devoção aos Santos Reis e a Nossa Senhora Aparecida. Segundo Pedro Ribeiro, a Folia contava antigamente com dois grandes cantadores, Silvio Renato, que ainda faz parte do grupo e Antônio Fernandes, mais conhecido como Mingote, que faleceu no ano de 2003, deixando saudade nos companheiros da Folia.

Esta manifestação cultural como ocorre em quase todos os interiores do país, inicia-se nas vésperas do natal, cobrindo duas semanas, para se encerrar no dia 06 de janeiro, consagrado aos Santos Reis. Durante a celebração da Folia de Reis, homens por todo o Brasil se vestem de Reis Magos e saem pelas ruas. Eles cantam, dançam e abençoam as casas por onde eles passam e visitam os lugares onde há presépios. A Folia de Reis Sagrado Coração de Jesus é realizada anualmente no bairro rural denominado Barra, e há 20 anos vem sendo organizada pelo folião Pedro Roberto Ribeiro, que é pedreiro, pequeno produtor rural e que desde os 20 anos de idade acompanha o cortejo com sua sanfona de 120 baixos, sem nunca deixar sua devoção aos Santos Reis e a Nossa Senhora Aparecida. Segundo Pedro Ribeiro, a Folia contava antigamente com dois grandes cantadores, Silvio Renato, que ainda faz parte do grupo e Antônio Fernandes, mais conhecido como Mingote, que faleceu no ano de 2003, deixando saudade nos companheiros da Folia.

Esta manifestação cultural como ocorre em quase todos os interiores do país, inicia-se nas vésperas do natal, cobrindo duas semanas, para se encerrar no dia 06 de janeiro, consagrado aos Santos Reis. Durante a celebração da Folia de Reis, homens por todo o Brasil se vestem de Reis Magos e saem pelas ruas. Eles cantam, dançam e abençoam as casas por onde eles passam e visitam os lugares onde há presépios.

A Educação

Desde a chegada dos bandeirantes em Delfim Moreira até a década de 1930 não se tem registro do acesso à educação formal em escolas. Segundo relatos de moradores o acesso à educação acontecia em algumas residências com professores que vinham de outra cidade para lecionar. Muitos aprenderam a ler e escrever com os professores Luiz Giffoni e Gustavo Sinfrônio Moreira.

A educação mantida pelo Poder Público municipal foi instituída através do Decreto Lei Nº 12 de 11/11/1940 pelo prefeito Joaquim Honório de Mello que criou 13 escolas rurais nos bairros Salto, Biguá, Rio Claro, Queimada, Barreiro, Rosetinha, Miragaia, São Francisco dos Campos, São Bernardo, Sertão Pequeno e Mogiano, sendo criadas 13 vagas para professores rurais com vencimentos anuais de um conto e duzentos mil réis. Nas décadas seguintes foram criadas escolas rurais em praticamente todo o território rural de Delfim Moreira .

Escola Estadual Luiz Francisco Ribeiro

Por volta no ano de 1920, Luiz Francisco Ribeiro, que tinha apenas a 3ª série primária, resolveu implantar uma Escola em sua fazenda (Cassarão da Barra). Preocupado com a Educação de seus filhos, lançou a semente do saber e foi em busca de um professor. Iniciou-se as aulas na sala de visita de sua casa. Não contente convidou outros moradores para que mandassem seus filhos também. Nesta  sala com a chegada de outros alunos o espaço não foi suficiente, transferiu-se para um Paiol e mais tarde para o porão do Casarão. Outros professores vieram para dedicar ao aprendizado de todos, inclusive Eliza Marzullo Ribeiro, esposa de Dalmo Wilson Ribeiro (este que foi prefeito de Marmelópolis por um mandato e por Delfim Moreira por três mandatos). Era uma escola precária, sem iluminação elétrica e todos escreviam na pedra e com um pano úmido apagavam. Mais tarde Luiz Francisco Ribeiro escolheu o terreno onde deveria construir uma escola definitiva, mas o mesmo faleceu e não viu seu sonho ser realizado. Ela foi construída com duas salas a princípio e aos poucos foi sendo ampliada.

Atualmente a escola atende o Ensino Fundamental, ensino médio, PROETI – tempo integral; sala de recursos e PRONATEC.

Atuaram como diretoras: Nilza Maria Ribeiro de Carvalho com o apoio da Professora Inês Gomes, Noêmia Ribeiro, Elenice de Paiva Rodrigues Ribeiro e Atualmente: Maria Luísa Ribeiro Vieira

A escola atende o Ensino Fundamental, ensino médio, PROETI –tempo integral , sala de recursos e PRONATEC.

Escola Estadual Marquês de Sapucaí

Em 1946, foi criado por Decreto o Grupo Escolar Marquês de Sapucaí que funcionou com as quatro primeiras séries até 1974.

No período de 1975 a 1987, a escola teve a autorização da extensão de 5ª a 8º séries, passando a ser  denominada Escola Estadual Marquês de Sapucaí . Em 1996, foi autorizado o Ensino Médio comum. A partir de 2005 a escola passou a oferecer a Educação de Jovens e adultos, no nível Fundamental e Médio.

A primeira diretora foi a senhora Filomena Peixoto Faria. Posteriormente, outros diretores assumiram a direção da escola os quais lembramos neste momento com grande saudade:

  1. Elisa Marzulo Ribeiro,
  2. Vicentina Nogueira Gomes,
  3. Maria Elisa Grimm,
  4. Maria Célia Ferreira Costa,
  5. Saturnino Soares da Costa ,

Fizeram também parte desta história os diretores:

  • Marina Alves de Alkmin
  • Maria do Carmo Paiva Alves
  • Maria Alice Assis
  • Terezinha Maria Giffoni
  • Mozart Vieira Cortez
  • Maria Aparecida de Oliveira Cortez
  • Emília Estela Cordeiro Mota
  • Aurelino Assis Xavier

Atualmente, além dos anos finais do Ensino Fundamental , do Ensino Médio e da EJA, a Escola oferece o Pronatec – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego.

A E.E. Marquês de Sapucaí tem se destacado no âmbito federal e estadual por ter implementado a Pedagogia dos Projetos, a exemplo:

  • Projeto Lapidar: O Projeto Lapidar surgiu do Plano de Intervenção Pedagógica e consiste na implantação do método da Releitura e Reescrita de textos, visando a reflexão e o aprimoramento da língua portuguesa;
  • Projeto Escola Estrada Afora: Esse projeto promove a função social da escrita e de outros componentes curriculares, através da observação e da análise do espaço geográfico e histórico do município de Delfim Moreira-MG, visando o respeito pelo patrimônio histórico-cultural e pelo meio ambiente.
  • Cabe destacar a participação e o excelente desempenho de nossos atletas nos Jogos Escolares de Minas Gerais – JEMG, quando conquistaram a medalha de bronze na modalidade Voley masculino; e os alunos que participam da OBMEP – Olimpíada Brasileira de Matemática, promovendo o reconhecimento da nossa escola.
  • Cabe destacar também a parceria do Grêmio Estudantil, que tem atuado de forma dinâmica e competente, junto à direção, em prol das atividades sociais, artísticas, esportivas e educacionais.

GIOL: Ginásio Inconfidente Oliveira Lopes

Para completar a escolaridade até o ginásio os filhos de pais mais abastados iam estudar fora daqui e os demais ficavam sem acesso a melhor grau de estudos. Assim para atender essa necessidade no dia 11 de julho de 1963 reuniram-se no salão do Cine teatro Helena famílias e cidadãos delfinenses convocados pelo prefeito Claudio Benedito de Freitas com o propósito de fundar no município as bases de um educandário do grau médio orientado pelo CENEG (Campanha Nacional de Educandários Gratuitos).

A proposta foi aceita e foi criada uma comissão da fundação desse Setor. Fizeram parte da comissão o prefeito Claudio Benedito de Freitas, Sebastião Rodrigues Ferreira Filho, Francisco Rodrigues da Costa, José de Araújo Marques, Alcides Pinto Macahiba e o presidente da câmara Municipal. Foi criada também a primeira Diretoria da entidade: Diretor: Silvio Domingos dos Santos, Vice-diretora Vicentina Nogueira Gomes e secretária Hilda Grimm.

Uma lista de donativos em dinheiro foi feita para angariar os fundos necessários para constituir o capital inicial para a formação do setor.

O ginásio foi construído e funcionou até 1.973. Muitas lembranças fazem parte da memória de muitos alunos que passaram pela escola. No intervalo das aulas ouviam músicas da época numa sonata: Roberto Carlos, Wanderley Cardoso, Paulo Sérgio e muitos outros…

Alguns Professores e alunos que fizeram parte do GIOL e aqui representados (Em negrito):

  1. Célia Maria Siqueira
  2. Josefina Silva Ferreira
  3. Maria Inês Prince Ribeiro
  4. Maria Oscarlina Ribeiro
  5. Rita Helena Machado Silva
  6. Carmem Ferreira de Faria
  7. Heloisa Helena Pedroso cunha
  8. Mozart Vieira Cortez
  9. Maria Aparecida Oliveira Cortez
  10. Maria Alice Assis
  11. João Batista Viana
  12. Benedito Reginaldo Antunes
  13. Luiz António Magalhães Silva
  14. José de Assis Ferreira
  15. Walter Pedroso Cunha
  16. Miriam Marcondes Assis

Escola Municipal Filomena Peixoto Faria

A EM. Filomena Peixoto Faria foi criada em 1997 através do processo de nucleação das escolas rurais e municipalização dos anos iniciais do Ensino Fundamental na zona urbana. Recebeu esse nome em homenagem a primeira diretora do grupo escolar Marquês de Sapucaí.  A escola passou por sucessivas reformas e ampliações ao longo dos anos visando a oferecer um atendimento de melhor qualidade aos alunos e professores. A escola teve como diretoras a professora Francisca Maria Rodrigues, Andréa Maria Rego Silva e atualmente sob a direção de Marina Souza de Faria e Vice diretora Mônica Renata Rodrigues Ferreira Silva. Em 2008 a Bandeira da escola foi criada com a participação dos próprios alunos da escola.

Hoje a escola oferece o Ensino Fundamental do 1º ao 7º Ano e EJA Fundamental.

A Escola Filomena desenvolve os seguintes projetos:

  • Gentileza: Resgate dos valores
  • Contadores de História: Despertar o interesse pela leitura
  • Educação Patrimonial: Valorização e preservação do Patrimônio Cultural
  • Cultura Empreendedora: Desenvolver o comportamento empreendedor
  • Água Limpa: Reaproveitamento do óleo residual de cozinha
  • Coral Cantoria de Criança: Incentivo a música dentro da escola
  • Momento Literário: Interação e expressão da arte através da música, poemas, danças, dramatizações…

A Escola participa ainda das Olimpíadas da Língua Portuguesa e da Matemática, de Astronomia e Astronáutica, PROERD.

As professoras da alfabetização participam da formação continuada através do Pacto Nacional da Alfabetização na Idade Certa (PNAIC).

A Escola Filomena possui 65 funcionários, que constantemente estão comprometidos com a qualidade da educação.

Escola Municipal José Carlos Ribeiro Fortes

A Escola foi construída em 1970 no Bairro da Água Limpa e recebeu esse nome em homenagem a José Carlos Ribeiro Fortes, nascido em 1864, no Bairro Cubatão.

Funcionou no período de 1985 até 1997 pelo Estado sob a Coordenação da professora Maria Inês Costa Fortes de Sales. Em 1998 foi municipalizada.

A escola atende a Pré-escola 4 e 5 Anos e do 1º ao 5º Ano Fundamental.

Escola Municipal Joaquim Peres

A escola Municipal Joaquim Peres foi criada em 1.940, no Bairro Sertão Pequeno, e em 13 de maio de 1981 recebeu a autorização do Estado para seu funcionamento.

Em setembro de 2013 passa a ser denominada Escola Municipal Luiz Peres da Silva Nogueira.

A escola atende o Pré de 5 Anos e do 1º ao 5º do Ensino Fundamental.

Fundação ROGE

A FUNDAÇÃO ROGE, instituição sem fins lucrativos, foi criada em novembro de 1.999, e tem como fundadores os Srs. Getúlio Raimundo de Assis e Carlos Rogério Campos Lima.

A instituição foi criada para beneficiar Delfim Moreira e irradiar desenvolvimento para o seu entorno, pois os instituidores acreditam que a educação tem papel fundamental na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

A FUNDAÇÃO ROGE tem como Missão proporcionar escolaridade de Nível Médio e Educação Profissional para o exercício da cidadania e formação adequada para o ingresso no mercado de trabalho, atuando como Difusora de Tecnologias.

Com mais de uma década de atuação e com excelentes resultados alcançados, a FUNDAÇÃO ROGE conquistou títulos nas esferas Municipal, Estadual e Federal e foi qualificada pelo Governo Federal como entidade de Utilidade Pública e como Entidade Filantrópica.

Atualmente a instituição oferece três cursos profissionalizantes de nível médio, de forma totalmente gratuita, todos ajustados à legislação educacional para Cursos Técnicos, com carga horária distribuída em três anos para que os alunos possam cursar o técnico de forma integrada ao ensino médio. Os cursos Técnicos oferecidos são Agropecuária, Hospedagem e Controle Ambiental.

Os três cursos profissionalizantes contemplam aulas teóricas e práticas, pois visam proporcionar a formação necessária ao desenvolvimento das potencialidades do aluno, estimulando habilidades e competências específicas adequadas ao mercado de trabalho. Cada curso técnico exige, para a formação dos alunos, cumprimento do estágio e a elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso.

Em 2014 a FUNDAÇÃO ROGE incluiu no ensino regular os Projetos Escolares coordenados por grupos de professores e compostos por alunos de diferentes turmas. A proposta dos projetos é, através da interdisciplinaridade, estimular nos alunos as múltiplas aprendizagens sociais que são trabalhadas nos 6 temas envolvendo as áreas de saúde, educação financeira, comunicação, filosofia, educação patrimonial e educação ambiental.

A instituição oferece também oficinas culturais atendendo alunos, colaboradores e comunidade no teatro, coral, violão, dança de salão e dança do ventre, e realiza eventos que visam resgatar e valorizar a cultura de uma forma geral.

A instituição formou mais de 500 jovens, dos quais cerca de 80% estão bem encaminhados profissionalmente, atuando como Técnicos e também prosseguindo seus estudos em Universidades Públicas e Privadas, no Brasil e no Exterior.

A FUNDAÇÃO ROGE se sente realizada em poder colaborar com o desenvolvimento local e regional, gerando para os jovens oportunidades de transformação social através de uma educação diferenciada.

Pré- Escola Vicentina Nogueira Gomes

A oferta da Educação infantil no Município vem sendo realizada desde os anos de 1.970 e até a década de 90 foi mantida pelo Estado com a Pré-Escola de 06 anos.

Algumas iniciativas para ampliar a oferta aconteceram em 1979 com a criação da Escola Infantil Sossego da Mamãe pela professora Eliana Marta Costa de Oliveira, com o apoio do Prefeito José Benedito Coura que cedeu uma sala de aula no antigo GIOL. As despesas com a escola era feita pelos próprios pais e a orientação à professora pela família.

Em 1996 a oferta passou a ser feita pelo poder público Municipal, sendo construída em 1998  a Pré Escola Municipal Professora Vicentina Nogueira Gomes e gradativamente o Município passou a atender a Educação Infantil a partir dos 4 anos de idade.

Atualmente a escola está sob a coordenação da professora Cleonice Rosa de Souza Gusmão.

A proposta pedagógica busca o desenvolvimento integral da criança no seu aspecto social, afetivo, psicomotor e cognitivo. A pratica educativa tem como objetivo a formação pessoal e social , a Identidade e Autonomia e conhecimento de mundo através da música, das artes visuais , brincadeiras da linguagem oral e escrita, da matemática e Natureza e Sociedade.

Nossas escolas se destacam no cenário regional e nacional com uma educação moderna e empreendedora, oferecendo a nossos alunos um ensino fundamental, médio e técnico de qualidade. Muitos delfinenses se destacam em outras cidades, estados e até mesmo países, o que orgulha muito esta terra de gente de hábitos simples, mas com um enorme espírito indomável que busca novos horizontes com coragem e fé.

Texto: Sérgio Ricardo de Faria, Sérgio Eduardo Moreira, Cleonice Rosa de Souza Gusmão e Edméia Guimarães Alkmin

Delfim Moreira, 07 de setembro de 2014.